Um levantamento dos institutos Democracia em Xeque e Sou da Paz aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi o presidenciável que mais mobilizou as redes sociais no debate sobre segurança pública entre 31 de julho e 7 de agosto. No mesmo intervalo, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) foi quem mais produziu conteúdo sobre o tema — 32 publicações —, mas não alcançou o mesmo nível de interação que a base digital do PL.

A pesquisa compilou 21,8 mil publicações em diferentes plataformas e revela uma forte presença de contas associadas ao PL: cerca de 1,3 mil posts que geraram 4,59 milhões de interações, equivalentes a 46% do engajamento total registrado. Em comparação, grupos ligados ao PT somaram 801 mil interações, ou 8,1% do total. Entre os presidenciáveis, Flávio concentrou mais de 1 milhão de interações no período analisado, resultado que o colocou à frente dos demais nomes na disputa digital.

Parte do alcance de Flávio decorreu de publicações em rede com integrantes do mesmo grupo político. Uma das peças de maior alcance foi do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), compartilhada com o senador, na qual o autor questionou restrições de visita a Jair Bolsonaro durante o cumprimento de prisão domiciliar. Outro episódio de alto engajamento foi a postagem de Flávio anunciando o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como opção de vice; Gaspar também teve publicações próprias de forte repercussão, entre elas críticas a suspeitas envolvendo Fábio Luís da Silva.

O diagnóstico dos institutos mostra que o domínio do PL no ambiente digital permitiu controlar grande parte da narrativa sobre segurança — um ativo que tem custo político relevante para o governo e para a oposição. Ao mesmo tempo, a maior presença de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas conversas sobre feminicídio indica que a disputa não é homogênea por tema. Em termos práticos, os números são um retrato do momento: expõem a capacidade do PL de transformar tema em engajamento e sinalizam para adversários a necessidade de reação estratégica, seja para defender políticas públicas, seja para combater a agenda política adversária nas plataformas.