O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, telefonou ao irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, cobrando o fim das críticas públicas dirigidas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, informaram interlocutores ao Correio Braziliense. Segundo essas fontes, a conversa não foi isolada: auxiliares do primogênito de Jair Bolsonaro dizem haver insatisfação com as alfinetadas do ex-deputado que têm repercutido nas redes sociais.
O motivo é explícito na leitura dos aliados: a reaproximação de Michelle com o clã e a possibilidade de sua candidatura ao Senado pelo DF passaram a ser consideradas ativo capaz de melhorar o desempenho de Flávio em pesquisas internas e de intenção de voto. No último domingo, Eduardo republicou um vídeo do influenciador Allan dos Santos que dizia preferir Bia Kicis a Michelle, com a legenda “triste, mas verdadeiro”. No post, Allan criticava o que definiu como agenda incompatível entre a ex-primeira-dama e o núcleo de direita.
O episódio expõe uma fissura que vai além de diferenças pessoais. Para o núcleo político do postulante, ataques públicos entre líderes do mesmo campo podem confundir eleitores, desgastar a coesão do PL e reduzir a capacidade de transferência de votos entre nomes do grupo. A reação de Flávio, segundo interlocutores, busca impor disciplina e proteger uma estratégia que tem na unidade familiar e na consolidação de apoios internos um elemento central.
Embora não haja indicação de rompimento formal, a movimentação acende alerta sobre o custo político de disputas internas expostas. A necessidade de conciliar interesses familiares e táticos coloca pressão sobre a campanha e sobre a articulação do partido, que terá de administrar críticas internas sem perder eleitorado nem agravar a percepção de desorganização à medida que se avança rumo a 2026.