O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá, nas eleições presidenciais de 2026, aproximadamente 4 minutos e 20 segundos de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão — a maior fatia entre os membros da família desde que Jair Bolsonaro passou a disputar cargos majoritários. O contraste com o próprio pai é marcado: Jair teve apenas 8 segundos em 2018 e 2min45s em 2022.

O cálculo explica a vantagem. O Tribunal Superior Eleitoral distribui 90% do tempo proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos e os 10% restantes são igualmente divididos entre partidos que superaram a cláusula de desempenho. O PL, com 98 deputados, garantiu a Flávio um espaço importante na grade eleitoral. Ele ainda poderia ter ampliado esse tempo caso alianças com partidos do Centrão tivessem se consolidado.

Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá 5min32s, fruto da federação e apoios que somam 127 deputados — um tempo superior ao de Flávio, mas que coloca o senador em posição de maior visibilidade dentro da família Bolsonaro. Trata-se de um ganho prático: minutos de TV continuam relevantes para moldar narrativa, lembrança de nome e conseguir momentos-chave de exposição.

O efeito político, porém, tem limites. Tempo de propaganda aumenta a capacidade de ocupar a agenda, mas não substitui estrutura de campanha, alianças regionais e presença organizativa. Para Flávio, a distribuição confirma força interna no PL e cria oportunidade para ampliar interlocução nacional; também evidencia a dispersão e as dificuldades da direita em formar uma frente única mais robusta.