Em ato do chamado “Bloquinho do Nikolas” em Montes Claros, no Norte de Minas, o senador Flávio Bolsonaro procurou transformar presença em capital político. Ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, ele reforçou apelo aos eleitores mineiros e disse acreditar em vitória já no primeiro turno, apontando Minas como decisiva para o resultado nacional.

A declaração tem tom de reação direta a um levantamento divulgado no mesmo dia: pesquisa Datafolha mostra o ex-presidente Lula com 42% das intenções de voto contra 36% de Flávio. O dado expõe um hiato que o discurso do candidato tenta reduzir na reta final da campanha: transformar mobilização local em sinal de recuperação frente ao rival.

Minas continua um terreno político dividido. Em 2022 foi o único estado do Sudeste onde Lula venceu Jair Bolsonaro por pouco mais de 49 mil votos, e o mapa regional registrou vitórias petistas em áreas como Norte de Minas e Jequitinhonha, enquanto a direita manteve força em grandes colégios eleitorais e no entorno metropolitano. A disputa desta semana em Minas reforça que o estado é teste de capacidade de mobilização.

Do ponto de vista eleitoral, a tentativa de projetar confiança em Montes Claros busca compensar o efeito das pesquisas e energizar apoiadores, mas os números divulgados pelo Datafolha acendem alerta para a campanha do PL: há margem a recuperar e o desempenho em Minas pode definir estratégias e prioridades nas próximas semanas.