No 'Encontro da Direita' promovido pelo PL em Vitória neste sábado (18/7), o senador Flávio Bolsonaro buscou reposicionar a pré-campanha ao miror o eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, oficializou apoio a lideranças locais. Ao lado do presidente estadual do partido e de aliados, ele confirmou que o PL apoiará a pré-candidatura de Lorenzo Pazolini ao governo do Espírito Santo, alinhando a mobilização regional com sua corrida presidencial.

Parte do discurso foi dedicada a propostas destinadas às mulheres: Flávio destacou iniciativas de segurança tecnológica para monitoramento de agressores e defendeu a criação de vouchers para creches, argumento central para suas promessas de liberar a participação feminina no mercado de trabalho. A ênfase nas pautas de maternidade e empreendedorismo surge num momento em que o senador tenta recuperar espaço junto ao eleitorado feminino após atritos públicos com lideranças conservadoras do segmento.

Além das propostas sociais, o senador elevou o tom contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, reagindo à decisão que lhe proibiu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias. Em críticas duras ao magistrado, Flávio voltou a defender o impeachment de Moraes e vincular sua candidatura à continuidade do legado político do pai. A retórica reforça a estratégia de mobilizar a base, mas intensifica a confrontação com instituições judiciais.

Do ponto de vista político, o movimento tem dupla leitura: por um lado, tentar reconquistar mulheres e formalizar apoios regionais é necessário para ampliar a base; por outro, a escalada verbal contra o STF pode restringir o apelo a eleitores moderados e alimentar riscos institucionais. A aposta de Flávio é consolidar o núcleo conservador, mas o desafio é transformar gestos de retórica e medidas pontuais em um programa crível que convença além do núcleo fiel — especialmente num ambiente eleitoral em que polarização e desgaste institucional já pesam no debate público.