O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou em transmissão ao vivo na noite desta segunda-feira (13/7) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), procura uma "desculpinha" para retirar Jair Bolsonaro da prisão domiciliar. A declaração foi dada após a decisão de Moraes que proibiu o parlamentar de visitar o pai pelo prazo de 90 dias.

Flávio negou ter descumprido ordens judiciais e afirmou que o presidente Bolsonaro nunca lhe pediu, instruiu ou deu a entender que publicasse cartas ou manifestações. Questionou, retoricamente, qual a diferença entre publicar conteúdo em sua própria rede, na da primeira-dama Michelle ou de um parente, e qualificou a proibição como tentativa de encontrar pretexto para alterar o regime de cumprimento de pena do ex-presidente. Ele também resgatou episódio anterior em que diz ter havido avaliação sobre risco de fuga e uso de tornozeleira eletrônica.

O senador acrescentou que está inscrito nos autos como advogado do ex-presidente e que acionou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para cobrar o respeito às prerrogativas profissionais. Segundo Flávio, o ministro ignorou seu vínculo nos autos e quer deixá‑lo "incomunicável" com o próprio pai — tese em que a defesa busca respaldo institucional da OAB Federal.

Além do embate jurídico imediato, a troca pública agrava o confronto entre a família Bolsonaro e o Judiciário, com potencial impacto político. A ofensiva de Flávio tende a reforçar na base eleitoral a narrativa de perseguição e pode ampliar a polarização em torno do caso, enquanto pressiona a OAB e demais instituições a se posicionarem. Trata‑se de um retrato do momento: uma disputa que mistura estratégia eleitoral, questões de direito e custos políticos, sem desfecho previsível a curto prazo.