O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou na noite do domingo que não reconhecerá o resultado do segundo turno, apesar da vantagem de mais de 4,4 milhões de votos obtida por Luiz Inácio Lula da Silva, que soma mais de 59 milhões de sufrágios. Em frente ao QG de campanha, em Brasília, o candidato informou que acionará o jurídico para pedir a anulação do pleito, alegando que a prorrogação do horário de votação descaracterizou o processo.

A controvérsia decorre de uma decisão de urgência do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu o prazo de votação até as 19h diante de relatos de dificuldades de transporte em localidades como cidades da Bahia e em São Paulo. A determinação foi anunciada por volta das 17h e, após checagens do TSE, Zanin esclareceu que a prorrogação valeria apenas para as seções que permaneciam abertas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manterem essas seções em funcionamento até as 19h; urnas já fechadas teriam os votos computados normalmente. Importante: o pedido de prorrogação havia sido subscrito por ambas as campanhas, incluindo a de Flávio.

A narrativa de Flávio — que acusou o ministro de agir em benefício do adversário e denunciou uma suposta 'mudança de regra no meio do jogo' — abre um confronto jurídico e político de consequência concreta. A tentativa de anulação, diante de uma diferença tão ampla, tende a ampliar desgaste para o próprio campo bolsonarista, prolongar a contestação e testar a capacidade do TSE e do STF de conter disputas eleitorais na via judicial. Esse movimento acende alerta sobre a institucionalidade do processo e sobre o impacto político de não aceitar o resultado nas urnas.

Sem responder perguntas da imprensa sobre o placar ou sobre alternativas, Flávio deixou o local acompanhado por aliados. A estratégia judicial anunciada pode parlamentarizar a disputa, forçar um ciclo de recursos e decisões em cortes superiores e complicar a narrativa pública dos derrotados — ao mesmo tempo em que pressiona instituições a explicarem, com transparência, os critérios adotados durante o dia de votação.