O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira que a operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora Go UP Entertainment não guarda relação com o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao chegar a um evento no Rio de Janeiro, ele evitou detalhar a investigação, repetindo que “não tem nada a ver com o filme” e pedindo aguardar a apresentação dos fatos.
A ação policial apura suspeitas de fraude em contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade associada à produção do longa. Segundo o inquérito, recursos destinados a projetos de conectividade — contratação e instalação de redes de wi‑fi em comunidades periféricas — podem ter sido desviados para outras finalidades, entre elas despesas vinculadas a produção audiovisual.
Relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou ao menos 20 irregularidades graves no edital de chamamento público, incluindo critérios genéricos de seleção e a falta de comprovação de experiência técnica do instituto em telecomunicações. O TCM também registrou que o ICB tinha histórico de atuação em eventos religiosos e literários, e não em projetos de conectividade, o que agrava dúvidas sobre a escolha da organização.
Politicamente, a negativa pública de Flávio busca limitar desgaste sobre um projeto que, além de ter ligação simbólica com o núcleo bolsonarista, pode gerar perguntas sobre uso de recursos públicos. A investigação e os achados do TCM elevam a necessidade de esclarecimentos objetivos; sem isso, o caso tende a cobrar preço político do entorno do senador, sobretudo em ano eleitoral, e aumenta o escrutínio sobre contratos municipais e a eventual circulação de recursos para produções políticas.