A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou nesta quarta-feira (23/9) uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal, dirigida ao ministro André Mendonça, contra o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento requer à Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito para apurar suposta proximidade entre o chefe do Executivo e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
No pedido, a defesa de Flávio cita mensagens obtidas nas investigações sobre o Banco Master, encontradas no celular de Vorcaro, que indicariam um encontro em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto. Segundo o material anexado, a reunião teria sido articulada pelo ex-ministro Guido Mantega e contou com a presença do advogado Walfrido Warde. Trechos reproduzidos pela campanha apontam que Warde cumprimentou Vorcaro pelo encontro e que o ex-banqueiro relatou ter sido tratado com cordialidade pelo presidente, inclusive mencionando um presente entregue ao chefe do Executivo.
A peça jurídica sustenta que as mensagens e o encontro seriam suficientes para justificar investigação. "Um presente pode ser gesto de afeto entre amigos, mas jamais entre o Presidente da República e um banqueiro cujos negócios dependiam diretamente da leniência do Estado", escreve a campanha, segundo o documento. O texto também relaciona a proximidade de Vorcaro com lideranças petistas, citando o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner, alvo de apurações na Operação Compliance Zero, cujo principal foco é o Banco Master.
Politicamente, a iniciativa de Flávio busca transformar material de investigação em instrumento de desgaste eleitoral: além de provocar obrigação de resposta por parte de Lula, a notícia-crime amplia desgaste em torno das ligações entre o Planalto e o mercado financeiro que hoje estão sob escrutínio. Legalmente, caberá à PGR avaliar se há elementos para instaurar inquérito. Mesmo sem prejuízo de provas posteriores, a ofensiva cria um novo foco de tensão institucional e complica a narrativa oficial em um momento de alta exposição pública.