Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) do senador Flávio Bolsonaro. Após a confirmação do resultado, Flávio anunciou que apresentará pedido de anulação do pleito, alegando 'falta de isonomia' em razão da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prorrogação do horário de votação em pontos afetados por redução do transporte público.

O argumento central do senador encontra um limite nos números disponíveis: levantamento da Metapolítica Consultoria indica que cerca de 35 mil votos foram lançados após as 17h — um universo que representa uma fração ínfima do total. A diferença entre os candidatos é de 4.430.191 votos, margem que, na prática, torna improvável que a prorrogação tenha alterado o resultado final.

A decisão de Zanin foi motivada por medidas adotadas em municípios baianos — Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas — que reduziram a oferta de transporte coletivo no dia da eleição. O despacho, anunciado às 17h02, foi explicitado como aplicável apenas às seções com urnas ainda em operação; o TSE havia divulgado apuração de 0,25% das urnas antes do comunicado. As duas campanhas chegaram a pedir prorrogação em locais distintos: a de Flávio solicitou ampliação em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando problemas causados por chuvas e alagamentos.

No plano institucional, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, tentou preservar a confiança no processo ao afirmar que a Corte permanece segura quanto à lisura da votação, lembrando que não havia precedentes de prorrogação no TSE. Para além do aspecto formal, a tentativa de annulamento — diante de uma diferença superior a 4 milhões de votos e de um recorte temporal que envolve apenas dezenas de milhares de registros — acende alerta sobre o custo político de judicializar um resultado com base em impacto quantitativo limitado.

Do ponto de vista prático, o futuro do pedido dependerá da capacidade da equipe de Flávio de demonstrar prejuízo concreto e nexo causal entre a prorrogação e alteração do resultado. No plano político, a iniciativa pode ampliar desgaste e intensificar o debate sobre a relação entre decisões judiciais emergenciais e a perceção pública sobre a normalidade do processo eleitoral. O que resta claro é que o TSE e o STF voltarão a ser centro de tensão: a Corte terá de responder politicamente e juridicamente a uma disputa que, por ora, encontra pouco respaldo nos números divulgados.