O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, fez nesta terça-feira em Washington um apelo direto às autoridades americanas para que desistam de sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. Em audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ele pediu à Comissão que recue da imposição das tarifas e preservasse o funcionamento do Pix, argumentando que a medida prejudica amplas camadas da população e também gera perdas para empresas americanas.
Ao rebater a justificativa das sanções — ligada a preocupações com práticas comerciais e corrupção — Flávio afirmou que as tarifas de 25% não atingiram os objetivos pretendidos pelos EUA e acabaram servindo a um uso político interno no Brasil. Citou ocasiões anteriores em que levou a mesma demanda a lideranças americanas, incluindo encontros em maio com representantes do governo dos EUA. Insistiu ainda que penalizar o conjunto da sociedade brasileira por falhas atribuídas a responsáveis identificáveis seria injusto e contraproducente.
Uma parte importante de sua defesa concentrou-se no sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Flávio descreveu o Pix como uma solução de inclusão financeira que ampliou o acesso de milhões de brasileiros à economia formal e afirmou que o crescimento do sistema não afeta negativamente as empresas americanas de meios de pagamento, mas as complementa. Ele também advertiu para a volatilidade política no Brasil nos próximos 90 dias, pedindo que Washington evite decisões de difícil reversão diante de um quadro em mutação.
A mobilização tem claros contornos políticos: além de buscar evitar um impacto comercial imediato, o discurso tenta posicionar Flávio como interlocutor com os EUA e guardião de interesses econômicos nacionais. Para o governo americano, o apelo acrescenta um elemento a mais na equação técnica do USTR — além de critérios econômicos e legais, entram avaliações sobre efeitos sociais e o momento político brasileiro. Resta saber se o argumento de que as tarifas punem a população será suficiente para afastar medidas já anunciadas e como a iniciativa será avaliada por adversários que podem ver na ação motivações eleitorais.