Em entrevista em Brasília, nesta quarta (7/10), o candidato do PL Flávio Bolsonaro defendeu que o Congresso discuta "com calma" e fora do período eleitoral a proibição das apostas de quota fixa (bets). Questionado pelos jornalistas sobre a Medida Provisória editada pelo governo que suspende a atividade, ele preferiu não dizer se é a favor ou contra e sinalizou cautela política diante do tema.

Flávio qualificou a iniciativa do Executivo como uma canetada e uma medida de apelo popular, afirmando que o ato acabou por ferir a segurança jurídica e causar prejuízos a clubes e empresas. Como exemplo, citou o impacto sobre o comércio de material esportivo que, segundo ele, teria sido obrigado a descartar estoques por causa das propagandas das casas de aposta. Esse enquadramento transforma a disputa jurídica em argumento político na reta final das eleições.

Ao mesmo tempo, o candidato fez distinção entre operações legais e ilegais: disse ser a favor de combater o jogo clandestino, mas criticou o fato de o governo não ter devolvido valores arrecadados com outorgas e de ter anunciado a proibição de forma abrupta. A MP precisa ser votada pelo Congresso até 23 de novembro para não perder validade, o que coloca os parlamentares diante de um dilema político-econômico em período sensível.

O episódio ganha relevo também porque veio logo após o anúncio de apoio do Novo à sua candidatura — um gesto que Flávio definiu como pragmático e que, na avaliação do candidato, legitima a prioridade eleitoral sobre debates programáticos imediatos. Para o Congresso, a combinação de prazo curto, reclamações do mercado e repercussão pública acende um sinal de alerta: a decisão terá custo político e econômico, e dificilmente ficará isolada da campanha.