Em vídeo divulgado nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro negou ter desrespeitado Michelle Bolsonaro e afirmou nunca ter humilhado uma mulher. A manifestação, divulgada após a repercussão do relato da ex-primeira-dama, buscou reduzir o impacto político do episódio e reafirmar um convite para diálogo em torno de propostas voltadas às mulheres.

Michelle havia publicado mensagem pública afirmando que não existe 'briga nem competição' no grupo, mas também relatou ter se sentido desrespeitada durante discussões internas sobre a estratégia do PL no Ceará. Fontes da base afirmam ao Correio que consideram verossímeis os pontos levantados por Michelle no vídeo anterior, e o episódio segue sendo explorado nos bastidores do partido.

No tom conciliador, Flávio disse ter respeito pela atuação de Michelle no PL Mulher e pediu desculpas 'se ofendi', sem admitir a intenção apontada pela ex-primeira-dama. A tensão originou-se em divergências sobre candidaturas no Ceará, com disputas entre a ala que apoia Eduardo Girão e setores que defendem aproximações mais amplas contra o PT.

Politicamente, a crise acende alerta para a campanha e amplia desgaste da direita em um ponto sensível: a resistência ao nome de Flávio junto ao eleitorado feminino, apontada por pesquisas citadas por aliados. Para a base governista, a deterioração da imagem pública pode obrigar o senador a adotar discurso de conciliação e rever posturas em público.

Além do efeito imediato na imagem, o episódio complica a narrativa oficial sobre unidade do bolsonarismo e abre espaço para interpretações diversas na oposição, que avalia desde aprofundamento da disputa interna até um conflito de natureza familiar sem grande impacto eleitoral. A dinâmica interna do PL e a capacidade de costurar acordos no Ceará serão observadas como termômetro do efeito político do atrito.