A campanha de Flávio Bolsonaro protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma representação pedindo a suspensão imediata do canal de WhatsApp identificado como 'Exército do Lula', criado pelo deputado André Janones (Rede‑MG). Segundo a peça, o canal — que teria cerca de 3,2 milhões de inscritos — opera como mecanismo de ativação da militância pró‑Lula no segundo turno e, por isso, deveria ser removido em prazo de duas horas, com o banimento do perfil de Janones.
No pedido, a defesa bolsonarista atribui ao canal a disseminação coordenada de conteúdos ofensivos e desinformativos em benefício da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e chega a pedir a cassação do registro ou do diploma do presidente e do vice Geraldo Alckmin, além de eventual declaração de inelegibilidade dos responsáveis. A alegação também envolve uso irregular de recursos de campanha para impulsionamento de propaganda negativa.
O corregedor‑geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, não acolheu a solicitação de segredo e determinou prazos: 72 horas para esclarecimentos iniciais da parte autora e cinco dias para a apresentação dos materiais digitais originais citados (vídeos, mensagens e arquivos). Cueva admitiu o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e notificou Lula, Alckmin e Janones para apresentarem defesa em cinco dias, ressaltando que o recebimento da ação não implica reconhecimento das alegações.
Janones reagiu classifi cando a iniciativa como tentativa de censura e usou uma transmissão ao vivo no Instagram, com público superior a 470 mil, para mobilizar apoiadores e reclamar de intimidação da oposição. Politicamente, a disputa eleva a tensão sobre a regulação do fluxo político em aplicativos de mensagem, acende alerta para a judicialização da comunicação eleitoral e pode forçar novos ajustes de estratégia nas campanhas, que agora terão de conciliar contestação jurídica e disputa por terreno digital.