No debate da TV Globo, o candidato do PL ao Planalto acelerou a tentativa de aproximação com o eleitor nordestino: prometeu reajustar o Bolsa Família e anunciou a construção de uma ferrovia que ligaria Salvador a São Luís, além de alardear uma postura dura contra a violência na região. A retórica incluiu uma autodeclaração de identificação com o Nordeste como elemento central de sua estratégia política.

Em segurança pública, Flávio atribuiu a governos estaduais aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte da responsabilidade pela expansão de facções como o Comando Vermelho e defendeu cooperação com gestores de diferentes partidos, citando a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, como exemplo. Também voltou a afirmar que obras da transposição do São Francisco só teriam sido concluídas no governo Jair Bolsonaro, um ponto de disputa com o atual presidente.

Na área social, propôs manutenção temporária do benefício para beneficiários que consigam emprego com carteira assinada ou abram empresas, até que atinjam estabilidade financeira. A ideia tem apelo eleitoral por reduzir o risco de perda imediata do auxílio ao migrar para o mercado formal, mas carece de detalhamento sobre regras, prazos e custo fiscal — lacunas que acendem alerta sobre a implementação.

O projeto de ferrovia foi apresentado como gerador de turismo e renda, sem que o candidato tenha trazido estimativas de investimento, fontes de financiamento ou cronograma. A conjugação de promessas ambiciosas e ausência de detalhes técnicos expõe um dilema da campanha do PL: disputar votos no Nordeste ao mesmo tempo em que se abre espaço para críticas sobre viabilidade econômica e responsabilidade fiscal. Para o campo adversário, as propostas funcionam como munição para questionar se são plano factível ou mero instrumento eleitoral.