Em visita a Santa Catarina neste sábado (19/9), o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, formalizou o que descreveu como um “pacto” com o governador Jorginho Mello e os candidatos ao Senado apoiados por seu grupo no estado. No discurso, Flávio transformou o estado em referência de gestão — citou desempenho de rodovias, sistema prisional e funcionamento da lei — e colocou a parceria com o Executivo local como eixo central de sua estratégia federal caso seja eleito.

No terreno prático, o candidato apontou trechos específicos das rodovias BR-470, BR-280 e BR-101, além da região do Morro dos Cavalos, como prioridades para atuação conjunta entre União e estado. Flávio defendeu expansão de concessões e parcerias federais, e ainda mencionou programas de trabalho para presos, redução da burocracia e corte de impostos como prioridades do seu eventual governo. Também aproveitou para atacar o governo Lula, classificando-o como um “passado” ligado a corrupção e ineficiência.

O anúncio tem efeito político claro: consolidar uma base regional alinhada ao PL e sinalizar a capilaridade do projeto eleitoral. Mas, do ponto de vista administrativo e fiscal, faltam detalhes. Flávio não apresentou estimativas de custo, fontes de recursos ou cronograma das supostas concessões. A ênfase em redução de despesas e impostos sem explicar compensações acende dúvidas sobre a viabilidade de obras federais previstas em parceria com estados e pode ampliar o questionamento sobre o impacto dessas promessas nas contas públicas.

No plano eleitoral, a articulação com Jorginho e a evocação de nomes como Carol De Toni e Carlos Bolsonaro reforçam a tentativa de montar um bloco regionalizado de apoio. Para o eleitor e para gestores estaduais, a promessa de “pacto” tende a gerar expectativa de prioridade orçamentária — o que pode pressionar o futuro governo a escolhas difíceis entre projetos e ajuste fiscal. A ausência de medidas concretas deixa o anúncio mais como um compromisso político do que um plano operacional, abrindo espaço para cobrança nas próximas semanas.