Em ato organizado neste domingo na Avenida Paulista, o candidato Flávio Bolsonaro afirmou que pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai, Jair Bolsonaro. No chamado 'Bloquinho do 22', que durou cerca de duas horas, ele agradeceu a multidão presente e dividiu o trio elétrico com aliados como o deputado Nikolas Ferreira e o governador Tarcísio de Freitas, em um evento que misturou jingles, axé e funk.

A declaração reforça uma aposta simbólica clara da campanha: transformar a sucessão em imagem familiar e ritual de passagem. Politicamente, o gesto funciona como catalisador para a base mobilizada, mas carrega risco de desgaste eleitoral. Em um eleitorado mais amplo e sensível a normas institucionais, a ênfase no parentesco pode ampliar críticas ao personalismo e afastar indecisos que buscam garantias institucionais.

A movimentação na Paulista integra uma estratégia de presença física do candidato na reta final: estão previstas edições do 'bloquinho' em capitais do Nordeste, ida a Manaus e o encerramento da campanha em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Hoje Flávio encara, pela primeira vez no segundo turno, o debate com Luiz Inácio Lula da Silva, transmitido por várias emissoras — um teste para transformar espetáculo em argumento eleitoral.

O balanço político é nítido: a tentativa de eletrizar a militância pode garantir comparecimento e visibilidade, mas também oferece munição para quem critica a personalização do poder. A uma semana da votação, a campanha precisa dizer se o simbolismo familiar vai reforçar sua competitividade ou custar apoio entre eleitores moderados e indecisos.