O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro recorreu às redes sociais para atacar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão de visitas com finalidade político-eleitoral a Jair Bolsonaro até o término do processo eleitoral. Flávio qualificou a medida como ilegal e disse que o ato revela uma intenção de retaliação por parte do magistrado, alegando perda de imparcialidade.
A proibição atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República. No parecer enviado ao STF, a PGR defendeu a manutenção de prisão domiciliar em caráter humanitário, mas entendeu que a 'Carta aos Brasileiros', entregue por Bolsonaro ao filho, violou medida cautelar ao ter clara finalidade de divulgação pública em período eleitoral. Com base nesse entendimento, Moraes estabeleceu pena de 90 dias de vedação de visitas de cunho eleitoral de Flávio ao ex-presidente; o Ministério Público concordou com a medida.
Política e institucionalmente, a decisão tende a intensificar a tensão entre o Judiciário e o núcleo bolsonarista. Ao fazer da suspensão um elemento central da sua pré-campanha, Flávio transforma a medida num argumento de mobilização contra o Supremo, alimentando a narrativa de perseguição. Para as instituições, o desafio será administrar o custo político de medidas que, mesmo amparadas em parecer técnico, são percebidas por parcela significativa do eleitorado como restritivas a atores políticos em plena disputa.
O caso deve seguir nos tribunais e no debate público nas próximas semanas, com potencial de ampliar a polarização e de reforçar a estratégia defensiva dos aliados do ex-presidente. Do ponto de vista jornalístico, permanece a pergunta sobre os limites das restrições cautelares em períodos eleitorais e o efeito dessas decisões sobre a confiança institucional — tema que continuará a pautar Brasília e a pré-campanha de 2026.