A equipe econômica do pré-candidato Flávio trabalha internamente com a hipótese de corrigir parte dos gastos sociais pela inflação e aprofundar um programa de privatizações, mas tem evitado divulgar detalhes por temer desgaste político. Fontes próximas ao grupo dizem que a medida é tratada como um pacote técnico capaz de reduzir despesas, sem, no entanto, virar alvo imediato de debate público que comprometa a campanha.

A avaliação preliminar apresentada aos coordenadores é que o conjunto poderia gerar uma economia equivalente a cerca de 2% do Produto Interno Bruto — número que, se confirmado, teria impacto relevante nas contas públicas. Economistas envolvidos enxergam na combinação de ajustes indexados e desestatizações uma via para melhorar indicadores fiscais, mas reconhecem que ganhos no papel podem enfrentar resistências políticas e jurídicas no processo de implementação.

Do ponto de vista político, a estratégia mostra contradição entre o discurso de responsabilização fiscal e o risco de desgaste eleitoral. Corrigir benefícios pela inflação ou acelerar privatizações mexe diretamente em expectativas sociais e em interesses setoriais; por isso a equipe optou por recuar do detalhamento público. O recorte técnico evita crise imediata, mas também dificulta a construção de narrativa positiva capaz de convencer eleitores e potenciais aliados.

A decisão de manter propostas no campo técnico coloca um desafio adicional: como transformar uma agenda fiscal potencialmente sólida em ação política sem perder apoio. Se o plano vingar, pode aliviar o caixa e dar margem fiscal; se travar no Congresso ou suscitar forte rejeição pública, o custo será político e econômico. Em outras palavras, a leitura dos números é favorável, mas o teste decisivo será a capacidade de articular e explicar medidas que tocam direitos e ativos do Estado.