A 13 dias do segundo turno, o senador e candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) declarou que votará a favor do fim da escala de trabalho 6x1. A fala foi dada na manhã desta terça-feira, em Brasília, pouco depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, no condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
No entanto, Flávio acrescentou uma ressalva que suaviza o comprometimento: disse defender “liberdade para o trabalhador montar seus horários”. A formulação mistura apoio ao fim da escala com um argumento de flexibilização que busca acomodar empregadores e setores produtivos que defendem modelos alternativos de jornada.
O recuo público, no timing a menos de 15 dias da decisão eleitoral, pode ser lido como tentativa de reduzir críticas sobre a agenda trabalhista do entorno bolsonarista e ampliar apelo a eleitores preocupados com emprego e direitos. Ao mesmo tempo, expõe uma tensão: equilibrar uma postura favorável aos trabalhadores sem afrontar grupos econômicos e empregadores que resistem a mudanças na organização do trabalho.
A visita a Jair Bolsonaro foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes na segunda-feira e confere palco político ao episódio. Para a oposição e setores sindicais, a declaração passa a ser um ponto a ser cobrado: resta ver se a promessa será convertida em voto concreto e projeto legislativo caso a coalizão consiga espaço no Congresso.