No 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, realizado nesta sexta-feira (3/7) no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro usou o palco do partido para reafirmar publicamente a disposição de disputar a Presidência da República em 2026. Em tom de missão pessoal, buscou transmitir confiança e unidade em torno de sua pré-candidatura, em um momento em que o PL vive disputas internas que ganham visibilidade.
O senador adotou discurso de linha dura na área de segurança, defendendo medidas mais enérgicas contra organizações criminosas e políticas que, segundo ele, privilegiem a proteção às vítimas. A ênfase em tratar facções como crime organizado com tratamento duríssimo busca recuperar terreno junto ao eleitorado de segurança — tema caro ao bolsonarismo — e marcar a diferenciação em relação ao governo federal.
As declarações ocorrem num contexto de acirramento interno: nas últimas semanas o PL teve episódios que revelaram rupturas entre grupos ligados a Flávio e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de desdobramentos do caso Master e debates alimentados pelo filme Dark Horse. Ataques misóginos e disputas sobre a condução do partido expuseram fragilidades na direção da legenda e tensionaram o processo de escolha de uma alternativa ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Politicamente, a sinalização pública de força de Flávio tenta neutralizar dúvidas sobre viabilidade eleitoral, mas também corre o risco de aprofundar a fragmentação interna. A fronteira entre reforçar uma base fiel e afastar eleitores moderados é estreita; se a tensão interna persistir, o PL pode pagar custo político em articulações e alianças necessárias para 2026. Resta ao partido a tarefa de resolver as disputas internas sem transformar a disputa pela sucessão bolsonarista em um freio à própria coesão e competitividade eleitoral.