No evento em Curitiba, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou a classificação feita por autoridades dos Estados Unidos sobre o PCC e o Comando Vermelho em mote da pré-campanha. Ao afirmar que, em apenas dois dias de agenda internacional, obteve resultados práticos que, segundo ele, não teriam sido alcançados pelo atual governo em duas décadas, Flávio buscou marcar território e apresentar um resultado concreto ao eleitorado preocupado com segurança.
A fala foi resposta direta às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à decisão americana. Lula havia manifestado contrariedade à medida e defendeu que o enfrentamento do crime organizado deve ser conduzido pelas autoridades nacionais. Flávio acusou o presidente de minimizar o sofrimento de moradores de áreas dominadas por facções e disse que a iniciativa internacional corrige essa omissão; na fala ao público, mencionou o alcance social do problema ao evocar milhões de brasileiros afetados pela violência.
O ato em Curitiba reuniu nomes alinhados à antiga operação Lava-Jato, como o senador Sérgio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, além de políticos do campo conservador. Moro ironizou a reação presidencial e elogiou a audácia de Flávio, dizendo que ações contra facções mudam as regras de combate ao crime. A presença desses atores deu ao encontro forte simbologia política: Curitiba foi epicentro das investigações que reconfiguraram o mapa político na última década e o palco serviu para reafirmar uma narrativa de ordem e combate às facções.
Politicamente, a movimentação tem objetivo claro: tentar reposicionar a candidatura de Flávio após semanas de desgaste por mensagens divulgadas e controvérsias sobre financiamento partidário e cultural. Segundo interlocutores do PL, a viagem aos Estados Unidos e o encontro com lideranças internacionais aliviaram pressões internas, ao menos momentaneamente. Resta saber, porém, se o tema segurança, tratado de forma contundente, será capaz de ampliar a base de apoio além do núcleo conservador, ou se vai polarizar ainda mais o debate e gerar novo custo político ao relacionar diretamente o nome do pré-candidato a uma estratégia internacional de confronto ao crime organizado.