A campanha do candidato presidencial Flávio Bolsonaro divulgou nota nesta terça-feira negando qualquer intenção de atacar a padroeira do país e reiterando que o senador “respeita todas as religiões”. A manifestação surge depois de repercussões que ligaram uma fala sua — sobre “entregar o Brasil a Jesus Cristo” — a um projeto antigo, arquivado há quase 20 anos, que tratava do título de padroeira.
Segundo a assessoria, a expressão sobre entregar o país a Jesus refere‑se a um gesto litúrgico: uma oração que Flávio faria antes de ler o termo de posse, como agradecimento e pedido de proteção. Ainda assim, a campanha buscou um gesto público de combate ao desgaste: durante caminhada com o candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas, o senador ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida para rebater interpretações contrárias.
No podcast católico em que falou depois, Flávio disse que a constante circulação de notícias falsas o atinge, e que recorre à fé para enfrentar as críticas. A defesa pública e as ações simbólicas mostram, na prática, como a equipe tenta frear uma narrativa que pode ampliar desgaste junto ao eleitorado católico e dar munição a adversários e à imprensa — sobretudo por envolver símbolos religiosos sensíveis na política.
Do ponto de vista eleitoral, a controvérsia aponta para um desafio de comunicação: traduzir uma intenção religiosa privada em ação pública sem provocar rejeição entre eleitores que entendem a laicidade do Estado ou se incomodam com mistura explícita de fé e poder. Resta à campanha neutralizar o episódio e evitar que a disputa por interpretações da fala prejudique a agenda política mais ampla do candidato.