No debate da TV Band, na noite de domingo (18/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o senador Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de seguir o modelo econômico do argentino Javier Milei — símbolo de cortes radicais e da chamada 'motosserra'. Em vez de enfrentar a questão econômica, Flávio optou por deslocar o foco: citou aliados internacionais ligados ao entorno de Lula e acusou o presidente de prejudicar a imagem do Brasil no exterior.
A resposta do senador procurou transformar a agenda. Em vez de detalhar posições sobre política fiscal ou reformas, Flávio atacou o que chamou de relações políticas do presidente e, ao ser pressionado, afirmou que fará um 'tesouraço na corrupção do seu governo'. A fórmula busca converter a pergunta sobre modelo econômico em arma política centrada em denúncia de irregularidades, sem oferecer proposta técnica sobre ajuste fiscal ou medidas públicas.
O episódio tem significado político prático: ao evitar confronto direto com a proposta econômica de Milei, Flávio reduz exposição a números e resultados associados ao modelo argentino, ao custo de intensificar a narrativa de combate à corrupção. Para o governo, a investida agrava a polarização e força uma resposta que combine defesa de gestão econômica e manejo do desgaste institucional. Para a oposição, é uma tentativa de projetar agenda anticorrupção como prioridade de campanha.
Na cena imediata do debate, Lula reafirmou seu modelo baseado em crescimento com inclusão e disse que o senador estava preparado para não responder. Resta saber se a tática de Flávio surte efeito eleitoral ao deslocar o debate — ou se amplia a disputa para o terreno de acusações mútuas, com pouco espaço para detalhamento de propostas econômicas concretas antes de 2026.