O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a colocar a responsabilidade sobre o risco de sobretaxas dos Estados Unidos no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia em que Washington decidirá sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em mensagens nas redes, Flávio afirmou ter atuado pessoalmente em negociações nos EUA e criticou a postura do governo federal, que classificou como ataque à relação bilateral.

Na semana passada, Flávio esteve em Washington e participou de audiência pública sobre as possíveis medidas americanas, classificadas por ele como potencialmente danosas ao consumidor e à indústria brasileira. O argumento do senador — de que a adoção das taxas penalizaria a população e chega em momento inoportuno, por se aproximar do ciclo eleitoral — funciona também como mensagem política: ele tenta colher dividendos eleitorais apresentando-se como interlocutor capaz de mitigar danos comerciais.

Do lado oficial, o governo brasileiro declarou, após reunião com o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, que as razões apontadas na Seção 301 não justificam a aplicação das sobretaxas recomendadas. Equipes do Ministério do Desenvolvimento, da Defesa Comercial e do Itamaraty reiteraram que a imposição de medidas de 25% — e, no caso de outras economias, 12,5% associadas à alegação de trabalho forçado — seria injusta e contraproducente para a negociação bilateral aberta desde o acordo entre Lula e Trump em maio.

A disputa tem reflexos práticos e políticos. Se confirmadas, as tarifas elevam custos para empresas e consumidores, enquanto no plano político reforçam o debate sobre a eficácia da diplomacia econômica do governo e alimentam a narrativa oposicionista de desgaste externo. Com o prazo final nesta quarta-feira, o episódio expõe tanto a necessidade de resultados concretos nas negociações quanto a disputa por agenda e narrativa em ano pré-eleitoral.