Após o confronto público com Michelle Bolsonaro, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro voltou a priorizar temas dirigidos ao eleitorado feminino durante uma transmissão ao vivo nesta segunda-feira, logo após sua viagem ao encontro com Javier Milei. Em discurso crítico ao governo Lula, ele apresentou ênfase em emprego, educação e desenvolvimento econômico como caminhos para ampliar a autonomia das mulheres.
Ao defender que as mulheres são responsáveis por grande parte da sustentação dos lares e enfrentam recorrentes problemas de violência e pressão econômica, Flávio tentou transformar a pauta social em instrumento de recuperação política. A retomada do tema ocorre num momento evidente de desgaste: o episódio com a ex-primeira-dama colocou no centro do debate tensões internas do núcleo bolsonarista que não são apenas pessoais, mas têm implicações eleitorais.
A repercussão pública cresceu depois de Michelle relatar tratamento desrespeitoso em discussão sobre articulações do PL no Ceará — declarações que ela própria tornou públicas — e, em seguida, de sinais de distanciamento nas redes sociais, como o cancelamento de seguimentos dos filhos do ex-presidente. Gestos como esse alimentam a percepção de fragilidade da coesão familiar e política em torno da candidatura, com potencial de corroer apoio entre eleitoras conservadoras e evangélicas.
Sem sinais públicos de reconciliação completa, Flávio aposta em propostas econômicas voltadas à geração de emprego e qualificação para tentar recalibrar sua imagem. A estratégia busca transformar um desgaste de imagem em oportunidade política, mas o caso expõe uma vulnerabilidade prática: a necessidade de restaurar unidade e confiança numa das alas mais relevantes do seu eleitorado antes de 2026.