O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro promoveu nesta quarta-feira (1°) um encontro com lideranças femininas da direita e do PL no Lago Sul, em Brasília — exatamente um dia após Michelle Bolsonaro anunciar sua saída da liderança do PL Mulher. A decisão de Michelle foi tomada após conversa com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, motivada por repercussões de um vídeo em que ela acusa o senador de atitudes misóginas e de tê-la maltratado por telefone.

A reunião, conduzida por Flávio, contou com a presença de parlamentares como Chris Tonietto (PL-RJ), Daniela Reinehr (PL-SC), Julia Zanatta (PL-SC), Soraya Santos (PL-RJ) e do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também participou e avaliou o episódio como parte da dinâmica de campanha, defendendo que assuntos familiares serão resolvidos e que a disputa tende a intensificar checagens e acusações.

Do ponto de vista político, o encontro tem caráter explícito de contenção de danos. Desde o início da pré-campanha Flávio busca amenizar a distância em relação ao eleitorado feminino; Michelle vinha sendo apontada como um dos principais elos com mulheres conservadoras e evangélicas. A saída dela da liderança do PL Mulher deixa um vácuo institucional e simbólico que pode dificultar a recomposição desse eleitorado se não houver respostas claras e articuladas.

No discurso interno, a orientação parece ser minimizar a disputa pública e priorizar a unidade eleitoral — estratégia que tenta transformar um conflito familiar em matéria de gestão de imagem antes que se cristalize nas pesquisas. Resta saber se a movimentação será suficiente para recuperar terreno entre mulheres e evitar que o episódio reverbere como sinal de desgaste na pré-campanha.