O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, passou o domingo reunido com prefeitos e vereadores da Grande São Paulo em encontro no Vale do Anhangabaú. Acompanhado pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes, Flávio usou o encontro para criticar o governo Lula e vincular a queda nas taxas de juros futuros — observada após o primeiro turno — à possibilidade de abertura de espaço no orçamento.

Na plateia, o discurso procurou conciliar promessa de ajustes fiscais com a defesa de programas sociais: pelas redes, o candidato afirmou que os cortes prometidos não virão da área social e negou intenção de reduzir Bolsa Família ou o BPC, prometendo ainda valorização das aposentadorias. No entanto, a referência a uma redução automática do custo da dívida com a saída do atual presidente precisa de comprovação técnica: especialistas alertam que movimentos de juros são determinados por uma série de fatores, e que nomes ventilados para a equipe econômica, como o ex-presidente do BC, carregam histórico de políticas que nem sempre convergem com tal narrativa.

O enunciado público acende alerta político. Por um lado, evita confrontar um eleitorado sensível a programas sociais; por outro, coloca o candidato diante de contradições com medidas defendidas e adotadas pelo próprio grupo nos últimos anos — como propostas de mudanças no BPC e no desenho de transferências sociais, e tentativas anteriores de reduzir programas como o Farmácia Popular no texto do PLOA de 2023. A promessa de cortes ‘sem tocar a área social’ tende a gerar pressão para que o plano econômico venha com nomes e medidas concretas, sob risco de ser interpretado como discurso eleitoral sem lastro técnico.

A curto prazo, a estratégia pode aliviar parte do receio do eleitorado de renda baixa, mas amplia a necessidade de detalhamento: quais gastos serão cortados, como se dará a redução de desperdício e que efeitos reais sobre a trajetória dos juros a equipe pretende produzir? Sem respostas claras, a mensagem corre o risco de se transformar em alvo de crítica — tanto na arena técnica quanto entre eleitores que lembram do histórico recente — e de complicar a articulação com aliados e com o mercado.