Em entrevista de pouco mais de 40 minutos na TV Globo, o candidato do PL procurou transformar questões centrais da campanha em narrativa de defesa: negou que os atos violentos de 8 de janeiro de 2023 configuraram tentativa de golpe, qualificou o processo contra seu pai como montagem e minimizou a gravidade do ataque às instituições. A contestação do episódio — em que milhares invadiram e vandalizaram Congresso, Planalto e STF — reforça um posicionamento que evita reconhecer a dimensão institucional do evento.
No terreno das relações financeiras, Flávio reiterou que não houve irregularidade ao procurar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que os aportes ligados ao filme sobre seu pai já foram esclarecidos. Ao mesmo tempo, sua defesa de que tratou do assunto de forma privada e a ausência de explicações detalhadas sobre valores e condições mantêm abertas questões de natureza ética e jurídica que podem ser exploradas por adversários e por órgãos de controle.
Sobre política pública, o candidato apresentou propostas genéricas e algumas contradições: prometeu rotular facções como narcoterroristas sem detalhar medidas práticas para ampliar prisões ou inteligência; defendeu mudanças na lei do desarmamento para facilitar o acesso a armas e evitou explicar projeto que enfraqueceria rastreamento de munições. Também se declarou favorável à extinção da escala 6x1 após meses de resistência, afirmando que ouviu trabalhadores — postura que expõe oscilação e abre espaço para críticas sobre coerência programática.
A soma de ataques sem provas, explicações parciais e propostas sem desenho operacional acende alerta sobre a capacidade de oferecer respostas concretas a temas centrais: segurança, conflito de interesses e relação com o Judiciário. Para além do efeito imediato na campanha, o desempenho na sabatina amplia desgaste político, complica a narrativa governista e exige que o candidato transforme declarações em planos verificáveis se quiser reduzir a desconfiança de eleitores, parceiros e instituições.