Questionado sobre reportagem da revista Piauí que cita repasses a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) evitou detalhar valores e disse, nesta terça-feira (1º/9), que as explicações cabem à produtora responsável pela obra. Segundo a matéria, haveria pagamentos em setembro e outubro, após o período anteriormente informado pelo próprio parlamentar.
Flávio afirmou não acompanhar a movimentação financeira diretamente e repetiu em tom irritado que “tem que perguntar para a produtora”. Ele reconheceu saber da condição de investidor atribuída a Vorcaro, mas voltou a remeter as perguntas aos responsáveis pela produção e disse que “o valor está na prestação de contas”. Mensagens atribuídas ao empresário Vorcaro, citadas pela reportagem, teriam indicado conhecimento do senador sobre repasses.
A opção por remeter esclarecimentos à produtora reduz a capacidade do candidato de controlar a narrativa pública e cria espaço para questionamentos sobre transparência na relação entre campanha, produções culturais e investidores. Em ano pré-eleitoral, a dificuldade em responder de forma direta sobre fluxos financeiros pode se transformar em peça de ataque para adversários e assunto persistente na imprensa.
Embora Flávio não tenha negado a existência de vínculo com investidores citados, sua resposta aponta para uma estratégia de contenção: transferir a responsabilidade por detalhes operacionais. Cabe agora à produtora, e eventualmente à Justiça Eleitoral, esclarecer prazos e valores informados, para que o episódio não se transforme em custo político maior na corrida por 2026.