A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira confirma que, apesar do atrito público com Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro segue como o primeiro nome da direita para 2026. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 81,9% apontam o senador como preferência, ante 14,7% que escolhem Michelle. O dado sinaliza resiliência do sobrenome e do aparato político em torno do filho do ex-presidente, mas não elimina custos simbólicos e eleitorais gerados pela exposição da disputa interna.
O levantamento também mostra que o vídeo publicado por Michelle alcançou ampla penetração: 78% dos entrevistados disseram ter assistido ao depoimento. Entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, a leitura é majoritariamente desfavorável à ex-primeira-dama: 54,6% acreditam que as acusações não correspondem aos fatos, enquanto apenas 29,9% confiam em suas declarações. No agregado, porém, 51% da amostra consideram compreensível a decisão de Michelle de tornar públicas as queixas e 59,6% afirmam acreditar no seu relato, um contraste que evidencia divisão entre o núcleo duro bolsonarista e o eleitorado mais amplo.
A pesquisa traz recortes relevantes por gênero e percepções de fidelidade. Flávio registra 86,9% de preferência entre as mulheres e 74,9% entre os homens; Michelle tem maior apoio entre o eleitorado masculino (18,8%) do que entre as mulheres (10,8%). Na pergunta sobre quem é mais leal a Jair Bolsonaro, o senador aparece com 38,3%, Michelle com 15,5% e 30,9% dos pesquisados entendem que ambos têm o mesmo grau de lealdade. Esses números indicam que a rusga pode ser menos decisiva na definição de lideranças internas, mas ressalta a necessidade de aproximação com eleitorado feminino.
No campo do impacto político imediato, o levantamento não minimiza riscos: 37,8% avaliam que a exposição enfraquece muito a candidatura de Flávio, e outros 26,3% julgam que enfraquece um pouco. Só 22,4% entendem que a disputa não afeta a postulação do senador, e 7,1% creem que a ação de Michelle chegou a fortalecê‑lo. A leitura é clara para atores políticos e estrategistas do PL: embora a liderança se mantenha, a controvérsia amplifica desgaste e complica a narrativa pública, exigindo respostas que contenham perda de confiança e evitem erosão em cenários competitivos.
Com 4.999 entrevistas realizadas entre 26/6 e 30/6 e margem de erro de um ponto percentual, a pesquisa (registro TSE BR-04582/2026) funciona como retrato do momento — não como previsão definitiva. Para 2026, o desafio para Flávio e para o bolsonarismo é transformar a vantagem numérica em cadeia de sustentação política: blindagem doméstica no PL, recuperação de imagem junto a mulheres e eleitores indecisos, e gestão de sinais internos que possam alimentar narrativa de desunião. Ignorar esses efeitos seria subestimar um desgaste que, se persistir, pode cobrar preço em uma disputa presidencial competitiva.