O pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro usou inteligência artificial para publicar nas redes sociais uma montagem em que o ex-presidente Jair Bolsonaro entra no lugar de Justin Bieber. A troca faz referência direta às iniciais idênticas dos nomes e foi postada na noite de domingo (19/7), quando Bieber se apresentava na final da Copa do Mundo.
No vídeo, a brincadeira com a placa de substituição — reproduzida após a entrada anunciada do cantor no estádio, em cena com o ator Jason Sudeikis — transforma um momento global em material de comunicação política. A ação reforça uma estratégia centrada em viralidade e em elementos de espetáculo para ganhar visibilidade fora do ambiente tradicional de campanha.
Embora tenha tom jocoso, a peça também aponta para um uso crescente de montagens digitais na arena política. O recurso pode amplificar alcance com baixo custo, mas abre espaço para debates sobre responsabilidade no uso da tecnologia e sobre os limites entre humor, propaganda eleitoral e potencial desinformação.
Do ponto de vista político, a iniciativa busca capitalizar a atenção gerada por um evento internacional para reforçar a imagem do clã Bolsonaro e manter engajamento entre apoiadores. Por outro lado, a opção por simbologia e showmanship em vez de temas programáticos pode reforçar críticas de que parte da comunicação prioriza efeito sobre conteúdo.
A postagem exemplifica como campanhas contemporâneas exploram formatos emergentes para marcar presença no noticiário e nas redes. Resta medir se a tática converte visibilidade em ganhos reais de avaliação política — ou se se confirma apenas como gesto de repercussão momentânea.