Durante sabatina no Jornal Nacional, o candidato do PL Flávio Bolsonaro afirmou que o chamado 'tesouraco' do seu programa de governo será feito pela redução do número de ministérios e pela venda de imóveis federais que, segundo ele, estão "abandonados". Flávio disse ainda que manterá reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação e rebateu críticas de adversários — que, segundo o presidenciável, têm feito "terrorismo" ao sugerir que ele acabaria com servidores e estatais. Em sua fala, citou que o governo federal tem 39 ministérios e cerca de 30 mil imóveis sem uso.
O anúncio mistura medidas permanentes e receitas de natureza puntual. Reduzir ministérios pode gerar economia administrativa, mas a dimensão do corte estrutural depende de quais pastas seriam extintas ou fusionadas e de como serão tratadas despesas previdenciárias e contratuais existentes. Já a venda de imóveis públicos tende a produzir receita única, sem impacto duradouro sobre o custeio de benefícios que se repetem anualmente. Flávio também citou combate à corrupção em estatais como fonte de ajuste, mas economias por maior eficiência costumam ser graduais e difíceis de quantificar a curto prazo.
Do ponto de vista político, a proposta pode gerar tensão: preservar aumentos reais para aposentados e beneficiários do mínimo enquanto se reduz a máquina estatal concentra o ônus sobre servidores, ocupantes de cargos e nas negociações com partidos aliados pelos espaços ministeriais. A promessa também exige detalhamento técnico e jurídico sobre o inventário de imóveis e a capacidade de aliená‑los sem impasses. Além disso, o presidenciável relacionou o agravamento das contas públicas à trajetória dos juros no governo atual, apontando que fatores como juros futuros pressionam o ajuste fiscal.
Sem estimativas públicas que mostrem quanto seria economizado com a redução de ministérios ou arrecadado com vendas de imóveis, a combinação de cortes e manutenção de benefícios soa mais como um roteiro de campanha do que como um plano fiscal robusto. Resta ao candidato explicitar prioridades, impactos orçamentários e mecanismos legais para transformar as promessas em medidas factíveis — e resistir à pressão política que essas escolhas inevitavelmente gerarão.