Em almoço com candidatos e apoiadores em Belém nesta segunda-feira (14/9), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou estar "na torcida" pelo afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e classificou o desfecho como um dia "vital para o nosso país". A sessão plenária sobre o magistrado estava marcada para a terça (15/9).
Na fala, Flávio vinculou o ministro ao presidente Lula e repetiu acusações públicas de que Moraes teria atuado fora da lei e priorizado interesses pessoais e familiares — afirmações apresentadas por ele como justificativa para a saída do ministro. O candidato também instou aliados e eleitores a irem às ruas e a 'abrirem os olhos', defendendo que esclarecimento sobre esses fatos pode influenciar votos e a realidade econômica das famílias.
O tom da declaração desloca o foco da disputa eleitoral para uma confrontação direta com o Judiciário e tende a reforçar a narrativa anti‑institucional que já marca parte do debate político. A insistência em responsabilizar um ministro do STF pela crise política funciona como estímulo à mobilização da base, mas também acende alerta sobre o aumento da polarização e do desacordo entre poderes — efeitos que podem ter custo político e institucional relevante.
Do ponto de vista eleitoral, a aposta de Flávio é clara: transformar uma decisão judicial em instrumento de legitimidade política. A estratégia pode energizar parte do eleitorado, mas também complica a narrativa para quem busca ampliação de apoios moderados. Com a sessão do STF iminente, a declaração reforça a tensão entre campanha e instituições e traduz o cálculo político de um candidato que aposta em confrontos públicos para ganhar espaço na corrida presidencial.