O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais, no domingo (12/4), um vídeo que associa o aumento do endividamento das famílias ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para ilustrar a crítica, o parlamentar usou imagens de pessoas catando alimentos em um caminhão de lixo, um registro que não é recente e foi gravado durante a gestão de Jair Bolsonaro.
O material viralizado foi filmado em 2021 no Bairro Cocó, em Fortaleza, por um motorista de aplicativo. Relatos sobre a data variam entre setembro e outubro de 2021, mas todos apontam para o mesmo período — claramente anterior ao atual governo. A postagem de Flávio chegou acompanhada do título de uma reportagem local publicada em março de 2026, o que pode sugerir ao público uma relação direta com o cenário atual, apesar da origem antiga das imagens.
A reutilização do vídeo provocou reação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que pediu retratação pública do senador e expôs nas redes a origem das cenas. Flávio também apoiou sua crítica em dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que indicou 80,2% das famílias endividadas em fevereiro. O episódio ganha contexto pelo debate em curso no governo sobre medidas para aliviar a dívida das famílias, como liberação do FGTS e restrições a apostas online — tema que o senador relacionou à sanção da lei das 'bets' em 29 de dezembro de 2023.
Do ponto de vista político, o uso de imagens antigas para imputar responsabilidade exclusiva ao governo atual expõe um risco de desgaste: além de enfraquecer a argumentação, amplia a percepção pública de descuido com fatos e facilita a reação adversária. Em campanha, lapsos desse tipo tendem a cobrar preço político imediato, forçando correções públicas ou alimentando narrativas de falta de credibilidade que podem prejudicar a estratégia oposicionista.