No saldo agregado do segundo turno realizado nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente entre os eleitores brasileiros que votaram em território norte-americano. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, Flávio somou 53.718 votos (62,65%), contra 32.023 (37,35%) de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vantagem de 21.695 votos. O senador venceu em seis das 11 cidades que receberam votação; Lula prevaleceu nas cinco restantes — destaque para Nova York, única cidade que virou do primeiro para o segundo turno.

A geografia do voto evidencia concentrações claras. Flávio teve desempenhos expressivos na Flórida: em Orlando obteve 8.042 votos (81,01%) contra 1.885 (18,99%) de Lula, e em Miami registrou 10.504 (76,64%) ante 3.201 (23,36%). Boston foi o maior contingente absoluto a favor do senador, com 13.605 votos (71,58%). Vitória bolsonarista também em Atlanta (3.927; 70,13%), Hartford (1.529; 65,45%) e Houston (2.982; 63,10%). Esses números reforçam a predominância da candidatura de direita em cidades do Sul e do Nordeste dos EUA.

As cidades que deram maioria ao presidente mostram perfis distintos: São Francisco foi o melhor desempenho proporcional de Lula (2.941 votos; 65,18%), seguido por Chicago (2.059; 63,84%), Washington D.C. (3.065; 57,56%) e Los Angeles (2.939; 55,03%). Em Nova York, a disputa teve dinâmica diferente: no primeiro turno Flávio havia superado Lula por 114 votos (4.684 a 4.570), mas no segundo turno o presidente ampliou a votação para 6.307 (52,40%) contra 5.730 (47,60%) do senador — um ganho de 1.737 votos para Lula e 1.046 para Flávio entre os turnos.

Além do mapa de vitórias, a abstenção chama atenção: dos 265.411 eleitores brasileiros aptos a votar nos EUA, 67,7% não compareceram às urnas, índice que reduz o peso do eleitorado expatriado como indicador amplo. Politicamente, o resultado expõe uma preferência conservadora considerável entre brasileiros residentes nos Estados Unidos, sobretudo em polos da Flórida, e oferece ao PL um argumento simbólico para uso na narrativa opositora. Para o governo, a derrota no agregado — ainda que compensada por vitórias em centros urbanos como Nova York e na própria reeleição nacional — sinaliza a necessidade de reconexão com eleitores no exterior e evidencia limites da mobilização petista em determinados segmentos da diáspora.