Em agenda de campanha em Juazeiro do Norte (CE), o candidato do PL voltou a ligar diretamente o ministro Alexandre de Moraes ao governo do presidente Lula, transformando o episódio no Supremo em peça central de sua retórica eleitoral. Na cidade cearense, o senador disse que o relacionamento entre o mandatário e o magistrado é um fator determinante para o voto e reafirmou o compromisso de, se eleito, indicar cinco novos ministros para a Corte.
A fala ocorre na esteira da sessão do STF que trataria de investigação envolvendo Moraes e o empresário Daniel Vorcaro — julgamento que foi suspenso após pedido de vista. O adiamento, marcado por atritos e acusações, foi explorado pelo candidato como prova, em sua narrativa, de uma articulação entre o Planalto e ministros da Corte. A promessa de renovar metade do Supremo, repetida em atos anteriores, repõe a ideia de intervenção política sobre a composição do Judiciário.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, reforçou publicamente a associação entre o ministro e Lula, buscando transformar uma controvérsia judicial em argumento de desgaste para o governo. Outros pré-candidatos também reagiram: alguns classificaram a interrupção do julgamento como encenação e criticaram a suspensão; outros chegaram a defender medidas mais duras contra magistrados citados no caso. As reações mostram como o episódio ganhou contornos de disputa política, além do caráter estritamente jurídico.
Do ponto de vista eleitoral, a estratégia do PL busca capitalizar a insatisfação com o Judiciário e empacotar essa narrativa como extensão do descontentamento com o governo. Essa aposta, no entanto, acende alerta para o aumento da polarização institucional: transformar decisões do STF em munição de campanha pode aprofundar conflito entre Poderes e complicar a narrativa oficial de normalidade democrática. Resta ao eleitor avaliar se a promessa de renovação da Corte muda substancialmente o equilíbrio institucional ou apenas amplia a tensão no debate público.