O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, fez nesta quinta-feira uma visita à residência do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. A entrada no condomínio ocorreu por volta das 7h45 e, por constar como advogado do ex-presidente em processo no STF, ele tem autorização para encontros de até 30 minutos, conforme as normas fixadas pela Corte.

As visitas haviam sido suspensas por 90 dias após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta do pai com apoio à sua campanha. No início de outubro, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a retomada dos encontros, mas manteve expressa a proibição de que as visitas sirvam a fins político-eleitorais ou à divulgação de manifestações do preso — uma cláusula que permanece central para avaliar qualquer consequência jurídica.

O episódio ocorre a três dias do segundo turno, quando Flávio enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisas recentes mostram o senador numericamente à frente, porém tecnicamente empatado com o petista. No curto prazo, a movimentação busca consolidar a imagem familiar e mobilizar a base, mas também acende alerta sobre o risco de desgaste caso seja interpretada como tentativa de obter publicidade política a partir de uma situação de prisão domiciliar.

Do ponto de vista institucional, a visita coloca à prova a linha tênue entre direito de defesa e uso político de privilégios processuais. Para a campanha, a janela final da disputa aumenta a pressão por mensagens claras; para o Supremo, reforça a necessidade de fiscalização. Em termos eleitorais, o encontro pode ter efeito imediato na percepção do eleitorado, sem, contudo, alterar o retrato das pesquisas, que continuam oferecendo um quadro competitivo e sujeito a oscilações até o domingo.