A sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo na noite de sexta-feira retomou o foco no escândalo do Banco Master e na relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que destinou R$61 milhões ao filme sobre Jair Bolsonaro. Entre os entrevistadores, Renata Vasconcellos e César Tralli focaram na origem dos recursos e na ausência de documentos públicos detalhados sobre o financiamento.
Flávio defendeu repetidamente que se tratou de um financiamento privado realizado à produtora e negou ter recebido os recursos diretamente. Segundo ele, houve prestação de contas e uma perícia apontou ausência de recursos públicos — afirmações que não foram acompanhadas, however, pela divulgação do contrato, das planilhas de gastos, da lista completa de investidores ou do caminho do dinheiro no exterior, itens que os jornalistas cobraram durante a sabatina.
Ao ser lembrado de uma mensagem em que dizia estar "sempre" com Vorcaro, o senador restringiu a relação ao projeto cinematográfico e afirmou que não assinou contrato com o banqueiro: diz ter apenas autorizado o uso de sua imagem e ajudado na captação. A posição oficial, contudo, não remove a dúvida pública sobre a concentração de grande volume financeiro ligado a um empresário hoje investigado.
Do ponto de vista político, a falta de documentação completa acende alerta e amplia pressão sobre a candidatura: opacidade em torno de R$61 milhões e ligações com um investigado elevam o custo político e dão espaço para adversários e imprensa explorarem a narrativa. Flávio manteve a defesa, mas, na prática, prometeu mais acesso às informações sem apresentar prazos ou provas concretas que encerrem a controvérsia.