O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, passou a enfrentar um movimento interno de fogo amigo no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Auxiliares ouvidos pela reportagem relatam percepção de que Messias tem aproximação com o ministro do Supremo André Mendonça, figura central em recentes tensões na Corte. Para parte da base governista, essa associação acaba por politizar a atuação da AGU e expor o Executivo a críticas que até então eram administradas com mais cautela.
A insatisfação ganhou contornos práticos após investigações da Polícia Federal alcançarem Fábio Luís Lula da Silva. Líderes no Legislativo e auxiliares do Planalto avaliaram que a Advocacia-Geral deixou de dar uma resposta mais incisiva diante do avanço das apurações — ainda que, segundo os relatos, não tenham sido apresentados indícios concretos de envolvimento direto do empresário nas irregularidades sob investigação. A percepção de omissão ou lentidão alimenta desgaste político e abre espaço para disputas internas sobre a estratégia de defesa do governo.
Em nota divulgada no dia 6/9, Messias buscou afastar interpretações políticas de sua gestão, afirmando que a atuação da AGU obedece a critérios técnicos, constitucionais e impessoais, e destacando ter o respaldo do presidente para agir com independência técnica. O pronunciamento tentou fechar a brecha gerada pelas críticas, mas não eliminou o desconforto de aliados que esperavam uma postura mais confrontadora em defesa do núcleo presidencial.
O episódio ocorre em meio ao recrudescimento das fricções entre Executivo e Judiciário, com a crise envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes ganhando novos contornos — e episódios recentes no Supremo, como a retirada pelo presidente da Corte de um pedido de investigação ligado a Mendonça, ampliando a reverberação política. Na prática, o jogo interno sobre a AGU revela risco de desgaste adicional para o governo: a continuidade do mal-estar pode pressionar por ajustes de posicionamento, ampliar a exposição do Palácio do Planalto a ataques institucionais e forçar mudança de estratégia para conter a narrativa adversária.