Uma sequência de fotos divulgadas após um almoço partidário em Santa Catarina transformou um registro rotineiro em sinal de racha no PL. O encontro, organizado pelo deputado federal Daniel Freitas e que contou com a presença do presidente nacional Valdemar Costa Neto e do governador Jorginho Mello, ganhou repercussão após duas imagens distintas — uma publicada por uma deputada estadual e outra por dirigentes do partido — mostrarem composições diferentes do grupo.

A diferença entre os registros provocou reação pública de outro parlamentar do partido, que acusou, indiretamente, tentativa de omissão. A deputada responsável pela primeira imagem explicou que o clique foi feito antes da chegada de um terceiro integrante, e rejeitou a leitura de exclusão deliberada. Em resposta, o deputado que criticou o fato reafirmou sua cobrança por valores que considera centrais na política, elevando o tom do embate entre correligionários.

O episódio ganha relevo porque não é apenas um desentendimento sobre uma fotografia: ele espelha a disputa interna pela indicação ao Senado em Santa Catarina. Carlos Bolsonaro figura como um dos pré-candidatos, ao lado da deputada federal Carol de Toni, e a escolha tem provocado resistência em setores da legenda. A circulação do atrito nas redes expõe fissuras em uma legenda que, em eleições estaduais, costuma precisar de coesão para transferir força política e estrutura de campanha.

Do ponto de vista estratégico, a cena representa risco concreto para a legenda. Brigas públicas alimentam narrativa de desorganização e podem complicar negociações com aliados locais, afetar mobilização eleitoral e dispersar foco em agendas de campanha. Para a direção nacional e para os líderes estaduais, o desafio é limitar o custo político dessa disputa: se a convivência não for administrada, a imagem de unidade que partidos buscam vender aos eleitores fica comprometida.

Ainda que a troca de acusações possa parecer episódica, ela atua como termômetro da capacidade do PL de gerir ambições internas. Em vez de debates fechados, escolhas sobre candidaturas têm vazado para o público, o que pressiona a direção a tomar decisões claras ou, ao menos, a apresentar um roteiro de conciliação. Sem isso, a legenda arrisca pagar um preço em coesão e eficácia eleitoral num estado onde a disputa pelo Senado é estratégica.