O deputado federal e produtor Mário Frias emitiu nova nota nesta quinta-feira (14/5) sobre o envolvimento de Daniel Vorcaro, do Banco Master, na produção do filme Dark Horse. Menos de 24 horas após negar que o banqueiro tivesse financiado a obra, Frias afirmou haver “diferença de interpretação” quanto à origem formal do investimento, sem reconhecer uma contradição material entre os posicionamentos.
Na reação anterior, e em comunicado da produtora Group Entertainment, Frias afirmara que “não há um centavo do Master” no longa. Na nova versão, explicou que Vorcaro nunca foi signatário direto nos contratos de investimento e que o vínculo jurídico ocorreu, segundo ele, com a empresa Entre — entidade que, segundo reportagens, estaria ligada a outras empresas do grupo do banqueiro.
A menção à Entre tem peso político e investigativo: a empresa foi liquidada pelo Banco Central em março, e a Polícia Federal, conforme apurado pela imprensa, aponta indícios de que Vorcaro atuava como “dono oculto” de um conjunto empresarial. Frias voltou a negar qualquer participação de Flávio ou Eduardo Bolsonaro na produção, embora reportagens anteriores tenham citado Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao banqueiro.
O recuo rápido do deputado expõe fragilidade na narrativa pública sobre a captação privada do filme e acende alerta sobre transparência nas relações entre produtores, investidores e personagens políticos. Mesmo com a defesa de que Dark Horse tem 100% de capital privado e que não há recursos públicos, a ligação a empresas sob suspeita e o episódio do ajuste de versões ampliam o desgaste político em torno do projeto e podem complicar a busca por parceiros e investidores nos próximos meses.