O Tribunal Superior Eleitoral divulgou a divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições deste ano: do total de R$ 4,9 bilhões, três siglas — PL, PT e União Brasil — vão concentrar cerca de 40% dos recursos. O PL fica com a maior fatia, R$ 881,6 milhões; o PT receberá R$ 615,3 milhões e o União Brasil R$ 526,2 milhões. Ao todo, os valores para as 30 legendas foram oficialmente informados pelo TSE na noite de quarta-feira (3/6).
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá quase R$ 1 bilhão à disposição neste pleito. A regra de distribuição do fundo combina parcelas fixas e variáveis: 2% é dividido igualmente entre partidos; 35% segue o desempenho nas últimas eleições para a Câmara; 48% leva em conta o número de representantes eleitos para a Câmara; e 15% considera a representação no Senado. O crescimento do montante desde 2018 — o fundo triplicou — amplia o efeito político dessas opções de alocação.
Especialistas ouvidos dizem que a concentração de recursos redobra o poder das cúpulas partidárias. O cientista político Murilo Medeiros, da UnB, observa que controlar o cofre tornou-se uma decisão estratégica: quem administra os repasses tem grande influência sobre as condições de disputa. Na prática, a alocação tende a privilegiar candidatos com maior probabilidade de vitória, o que favorece, em regra, parlamentares que já ocupam mandato e dificulta uma mudança rápida na composição do Congresso.
A matemática eleitoral reforça esta dinâmica em 2026. Com 54 cadeiras do Senado em disputa — renovação equivalente a dois terços do plenário em 2026 — os partidos veteranos veem na corrida senatorial prioridade estratégica. O PL, que já tem 97 deputados na Câmara contra 65 do PT, mira ampliar influência nas duas Casas. Por outro lado, partidos aliados do Executivo, como PSB, PDT, PSol e Rede, apostam em crescer entre deputados para reduzir o poder de barganha do Centrão. A concentração do FEFC, porém, impõe uma limitação objetiva: a capacidade de renovar quadros ficará subordinada às escolhas das lideranças e ao critério de risco e retorno na aplicação dos recursos.