Os pedidos protocolados por Luiz Fux e André Mendonça à Polícia Federal, na quarta-feira (16/9), por acesso integral ao conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro acrescentam novo capítulo à disputa pelo material apreendido. A movimentação ocorre em meio a forte atenção dos gabinetes do Supremo sobre as mensagens encontradas no aparelho, cujo conteúdo já foi disponibilizado anteriormente a outros ministros.
O que chama atenção é que Fux e Mendonça requisitaram o mesmo conjunto de dados que a PF já entregou a Gilmar Mendes e ao advogado Cristiano Zanin antes da sessão extraordinária de terça-feira (15). Na ocasião, a Corte avaliou a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e conversas com Vorcaro; ministros que acessaram o material justificaram a necessidade de conhecer integralmente as informações antes de formar voto.
Nos corredores do tribunal, o movimento foi interpretado como reação à circulação restrita das provas entre alguns gabinetes. A entrada direta de Fux no episódio se deu após virem a público conversas entre Vorcaro e seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Paralelamente, manifestações públicas de Gilmar Mendes, afirmando que houve ajuste prévio para pautas relacionadas à direção da Polícia Federal, adicionaram uma camada política ao embate sobre a condução das apurações do Banco Master e sobre como a PF compartilha dados com o próprio Supremo.
Politicamente, a corrida pelo celular de Vorcaro acende alerta e amplia desgaste institucional: trata-se de disputa pelo controle de informação que pode influenciar votos, narrativas e a própria legitimidade do tratamento dado às investigações. A tensão expõe fragilidades no protocolo de acesso a provas sensíveis e complica a narrativa oficial de gestão colegiada da Corte, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre a Polícia Federal e sobre ministros que já vêm sendo alvo de críticas internas. Integrantes do tribunal aguardam desdobramentos à medida que o conteúdo for conhecido por mais gabinetes, e a pauta tende a seguir produzindo efeitos políticos e institucionais.