O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está convocado para depor nesta quarta-feira à CPI do Crime Organizado do Senado, em meio ao avanço das investigações sobre o caso do Banco Master. Parlamentares esperam esclarecimentos sobre a reunião no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, que trouxe o nome do empresário Daniel Vorcaro ao centro do debate.

A participação de Galípolo foi formalmente solicitada — e, embora regimentalmente facultativa, já foi confirmada pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão também aguarda o depoimento do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, convocado como testemunha qualificada para explicar critérios de supervisão e idoneidade das instituições financeiras.

Entendo a decisão de não prorrogar os trabalhos como um desserviço ao país.

A oitiva ocorre num momento de pressão institucional. O colegiado tem prazo até 14 de abril para encerrar os trabalhos; Vieira tentou prorrogar a investigação, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou a ampliação do prazo sob o argumento de que o tema não se presta a prorrogação em ano eleitoral. Vieira anunciou que o relatório final será apreciado na terça-feira e descartou recorrer ao STF após decisão recente contrária a prorrogações.

O foco dos senadores será a avaliação de eventuais falhas na fiscalização do sistema financeiro, inclusive decisões anteriores do BC — como autorizações dadas ao banco que hoje é alvo de apurações — e a tal reunião no Planalto que não constou na agenda oficial. A investigação também retoma elementos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo servidores do Banco Central.

Além do aspecto técnico, a sessão tem peso político evidente: a oposição pretende transformar a oitiva em instrumento para ampliar desgaste sobre o governo, enquanto aliados e integrantes da comissão tentam fechar um relatório com narrativa e provas suficientes antes do prazo. O confronto entre necessidade de apuração e limite temporal da CPI acende alerta sobre o alcance das conclusões que serão apresentadas.

A oitiva busca afastar dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica na fiscalização do sistema financeiro.