Em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou ter mantido contatos telefônicos com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para tratar do caso Banco Master. Questionado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que citou reportagens sobre supostas ligações, Galípolo classificou as versões como incorretas e afirmou que os encontros com o ministro ocorreram presencialmente e de forma institucional.

Ao detalhar os encontros, o chefe da autoridade monetária disse que as conversas no STF se inseriram em discussões sobre a Lei Magnitsky e seus eventuais impactos institucionais. Segundo ele, as reuniões seguiram a normalidade do diálogo entre órgãos e não tiveram caráter excepcional nem direcionado à investigação em curso sobre a instituição financeira.

Jamais falei com o ministro por ligação telefônica.

Galípolo também rechaçou qualquer relação profissional com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, ao ser questionado sobre contratos ou reuniões relacionadas ao Banco Master. Segundo o presidente do BC, não houve encontros de trabalho com ela; eventual contato teria acontecido apenas em ambientes sociais, sem vínculo profissional com o caso investigado.

Sobre a atuação técnica do Banco Central, o presidente afirmou que não existem registros internos ou em auditorias que atribuam irregularidades ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no processo de autorização societária relativo ao Banco Master, em 2019. Galípolo disse ainda que a autarquia tem colaborado com órgãos de controle, fornecendo dados dentro dos limites do sigilo legal.

A defesa pública dos fatos busca neutralizar o efeito político das reportagens, mas o episódio levanta dúvidas e complica a narrativa oficial sobre independência entre autoridades e instituições. Para além das negas, a CPI sustenta a pressão política e a necessidade de transparência: mesmo sem provas de irregularidade apontadas pelo BC, a sequência de questionamentos pode aumentar desgaste institucional e exigir respostas mais detalhadas à sociedade.

Jamais tive contato nesse sentido.