O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comparece nesta terça-feira à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para apresentar o panorama da política monetária e responder sobre a atuação da autarquia no caso do Banco Master. A convocação atende previsão regimental, mas ganhou tom político diante das críticas de senadores que cobram explicações sobre decisões de supervisão.
O debate foi reacendido depois de declarações do presidente da CAE, senador Renan Calheiros, que afirmou existir um histórico de 23 alertas enviados pelo BC ao Banco Master ao longo dos anos, sem que medidas mais duras tivessem sido tomadas até a intervenção de dezembro de 2025. Renan também criticou a ausência de documentos que, segundo a comissão, deveriam ter sido encaminhados pela autoridade monetária.
Além das questões técnicas de fiscalização, o presidente da CAE levantou dúvidas sobre possível postura leniente de Galípolo em relação ao ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, citado em acusações relacionadas ao período em que trabalhou como diretor do Santander. A menção amplia o escopo político da audiência e traz à tona tensão entre Legislativo e autoridade monetária.
Do ponto de vista institucional, a sessão pode reforçar pressão por maior transparência e explicações detalhadas sobre processos de supervisão. Para o governo, a exposição de um conjunto de alertas não sancionados e de documentos não entregues complica a narrativa de efetividade da regulação financeira e pode motivar medidas legais ou requerimentos adicionais por parte do Senado.