O ex-governador Anthony Garotinho afirmou, em episódio de seu podcast, que possui vídeos de festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Nova York, entre elas a chamada 'noite das astronautas'. Segundo o relato, modelos estrangeiras teriam desfilado nuas usando capacetes de astronauta e os convidados — que ele citou como secretários, deputados, senadores e governadores — escolhiam entre as mulheres ao levantar a viseira do capacete. O trecho foi publicado no YouTube e vem circulando em outras redes sociais.
Reportagens de apuração, citadas por Garotinho e por colunistas, situam um dos eventos em maio de 2024, numa suíte presidencial em Nova York, com custo estimado em cerca de US$ 721 mil — valor que, à época, equivalia a aproximadamente R$ 3,7 milhões. A descrição das festas inclui a presença majoritariamente masculina de autoridades e a informação, também atribuída ao ex-governador, de que as modelos eram estrangeiras (provavelmente da Europa Oriental) para evitar que compreendessem conversas em português durante o evento.
No plano institucional, a sequência de denúncias e pedidos de apuração já teve movimentos oficiais: em janeiro de 2026, o Ministério Público apresentou ao Tribunal de Contas da União solicitação para investigar participação de autoridades nas festas organizadas por Vorcaro na Bahia, conhecidas como 'Cine Trancoso'. O TCU arquivou o processo em fevereiro, alegando ausência de indícios robustos de uso indevido de recursos federais — decisão que limita a atuação do tribunal, mas não encerra o assunto, uma vez que as investigações sobre o caso Master seguem no Supremo Tribunal Federal, onde o relator é o ministro Andre Mendonca.
O surgimento dos vídeos, se confirmados, tem potencial político concreto: além do impacto reputacional sobre os citados, o caso evidencia lacunas na fiscalização quando há transferência de apuração entre órgãos com competências distintas. A divulgação também acende alerta sobre a presença de autoridades em eventos custeados por atores do setor financeiro e amplia a exigência por transparência. Trata-se de um retrato do momento — não uma convicção definitiva —, que coloca pressão sobre investigados e exige respostas objetivas das instituições responsáveis pela apuração.