A confirmação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro foi comemorada por aliados, mas abriu nova fratura no debate sobre estratégia eleitoral. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (5/8), o bolsonarista Paulo Figueiredo saudou a composição como “puro sangue”, ressaltando que o presidenciável não teria cedido às cobranças para indicar uma mulher na vaga e que a escolha se deu sem acordos com o Centrão.
O pronunciamento expõe a prioridade da ala mais ideológica do bolsonarismo: formar uma chapa inteiramente alinhada ao núcleo conservador em vez de buscar maior representatividade ou ampliar o apelo entre segmentos eleitorais, especialmente as mulheres. Nas últimas semanas, dirigentes do PL e partidos aliados chegaram a defender a escolha de uma vice do sexo feminino como fator capaz de reduzir a rejeição junto ao eleitorado feminino, argumento agora ignorado pela direção da candidatura.
A defesa pública desse caminho por parte de Figueiredo tem peso simbólico. Ele acumula história de declarações hostis às mulheres na política, inclusive episódios em que afirmou que eleitoras não teriam capacidade de voto adequada, postura que já provocou reações de parlamentares e organizações de defesa dos direitos femininos. Esse histórico torna a rejeição à proposta de uma vice mulher não apenas uma opção estratégica, mas um sinal político carregado.
Do ponto de vista pragmático, a aposta em uma chapa “puro sangue” pode reforçar a coesão interna e agradar a base ideológica, mas tem custo claro: manter elevado índice de rejeição entre eleitoras e reduzir o espaço para articular alianças mais amplas. Em ano pré-eleitoral, trata‑se de um cálculo que favorece pureza política em detrimento de expansão eleitoral — e que poderá pesar na estratégia do campo bolsonarista rumo a 2026.