Levantamento feito a partir do Portal de Dados Abertos do TSE e do sistema DivulgaCandContas mostra que candidatos e partidos declararam R$ 288,7 milhões em contratos diretos com a Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) até 20 de outubro. É o maior valor já registrado pela empresa em uma disputa nacional e representa 6% das despesas informadas — mais que o dobro dos R$ 129 milhões contabilizados em 2022.

O Partido Liberal (PL) lidera as despesas com R$ 63,7 milhões, seguido por PT (R$ 37,9 milhões), PSD (R$ 30,3 milhões) e União Brasil (R$ 23,3 milhões). Entre candidaturas, quem mais contratou foi o senador Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 7,45 milhões; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com R$ 2,59 milhões. Juntas, cinco candidaturas somam R$ 17,38 milhões. O número de campanhas que superou R$ 1 milhão subiu para 24, responsáveis por cerca de R$ 41 milhões.

O crescimento é contínuo desde 2018 (R$ 22,7 milhões naquele ano) e traduz mudança na alocação de verbas: o impulsionamento de conteúdo nas plataformas digitais virou peça central nas estratégias eleitorais. O dado, parcial enquanto as prestações de contas finais não forem entregues (prazos até 3 e 14 de novembro), acende alerta sobre concentração de recursos em poucos fornecedores e sobre a vantagem efetiva que partidos e candidatos mais bem financiados obtêm no alcance de eleitores.

Além do efeito prático nas campanhas — maior custo para competir por atenção e segmentação mais sofisticada para quem pode pagar — os números colocam pressão sobre o debate regulatório e a fiscalização. Para adversários e fiscalizadores, a diferença de investimento nas mesmas plataformas é agora um indicador político relevante: impacta competitividade, transparência e a necessidade de respostas do TSE, do Congresso e das próprias legendas.